Quem pede preços para uma moradia com um mapa de quantidades incompleto recebe propostas que parecem comparáveis e não são. Cada empreiteiro preenche a lista que recebeu: se falta uma linha, falta em todas as propostas, e aparece mais tarde, já em obra, como trabalho a mais. Este guia percorre o que o mapa de uma moradia deve ter, pela ordem da obra, e o que conferir antes de o enviar.

Mapa de quantidades e orçamento não são a mesma coisa

O mapa de quantidades é a lista dos trabalhos da obra, cada um com a sua unidade e a sua quantidade — sem preços. O orçamento é esse mesmo mapa com um preço unitário em cada linha. Por isso o mapa vem primeiro, e é ele que torna as propostas comparáveis: todos os empreiteiros põem preço à mesma lista.

Os capítulos de uma moradia, pela ordem da obra

Não há uma lista única obrigatória para obra particular, mas a estrutura abaixo é a que um orçamentista espera encontrar. Entre parêntesis, a unidade habitual.

  1. Estaleiro e trabalhos preparatórios — montagem e desmontagem, vedação, implantação (vg ou un).
  2. Movimento de terras — decapagem (m²), escavação e aterro (m³), transporte a vazadouro (m³).
  3. Fundações e estrutura — betão (m³), cofragem (m²) e armaduras (kg), separados por elemento: sapatas, vigas de fundação, pilares, vigas, lajes, escadas.
  4. Alvenarias — paredes exteriores e interiores, separadas por tipo e espessura (m²).
  5. Cobertura — estrutura, isolamento e revestimento (m²); caleiras, rufos e tubos de queda (m).
  6. Impermeabilizações e isolamentos — fundações, terraços, fachadas (m²).
  7. Revestimentos de paredes e tetos — rebocos, estuques, cerâmicos, tetos falsos (m²).
  8. Pavimentos — betonilhas e acabamentos (m²); rodapés (m).
  9. Caixilharias e serralharias — janelas e portas exteriores (un, com as dimensões na designação); guardas (m).
  10. Carpintarias — portas interiores, roupeiros, móveis de cozinha (un).
  11. Pinturas — interiores e exteriores (m²).
  12. Instalações — águas e esgotos, águas pluviais, eletricidade, telecomunicações, gás, ventilação e climatização, segurança contra incêndio: tubagens e cabos (m), pontos e equipamentos (un). Uma especialidade por capítulo, as que o projeto tiver.
  13. Arranjos exteriores — muros, pavimentos exteriores, redes enterradas (m², m, m³).

As linhas que mais faltam

São quase sempre as que não aparecem desenhadas, ou que ficam entre dois capítulos:

Uma linha em falta não desaparece do custo da obra: só desaparece da comparação entre propostas.

Como conferir um mapa antes de o mandar a preços

  1. Cada elemento desenhado tem uma linha. Percorra as plantas, cortes e alçados com o mapa ao lado, capítulo a capítulo.
  2. As quantidades batem com o desenho. A área de pavimento de cada piso não pode ultrapassar a área desse piso; a área de cobertura tem de ser coerente com a planta e a inclinação.
  3. As unidades são as de medição, não as de compra. Betão em m³, não em camiões; armaduras em kg, não em varões.
  4. A designação diz o que inclui. E remete para as condições técnicas do caderno de encargos, quando existe.
  5. O valor global é exceção. Se um trabalho se consegue medir, mede-se; um valor global não se compara entre propostas.
  6. O critério de medição é um só, e está escrito. O que se desconta nos vãos, o que se mede nas interseções. Em Portugal, a referência habitual são as Regras de Medição na Construção do LNEC — que não são obrigatórias por lei, e é por isso mesmo que o critério usado tem de ficar escrito.

E se o projeto estiver em Revit ou IFC

Quando a moradia foi projetada num modelo BIM, as quantidades podem sair do próprio modelo: cada linha do mapa remete para os elementos que a geraram, e uma revisão do projeto volta a medir-se sem recomeçar do zero. O que não muda é o que está acima — os capítulos, a designação, o critério. Um mapa tirado de um modelo continua a ter de ser conferido; a diferença é que se consegue voltar de cada número ao elemento que o gerou.