Numa proposta de empreitada põe-se preço a cada linha do mapa de quantidades. Mas a obra que se contrata é descrita noutro sítio: nas condições técnicas do caderno de encargos e nos desenhos do projeto. Quando as peças não dizem o mesmo, alguém paga a diferença — e, se ninguém a assinalou a tempo, é muitas vezes quem deu o preço.

Três peças que têm de dizer o mesmo

Uma proposta séria lê as três em conjunto. Um orçamento feito só sobre o mapa confia que quem o fez leu as outras duas sem se enganar.

Onde costumam divergir

Em obra pública, há prazo para o dizer

Nos concursos de empreitada, o Código dos Contratos Públicos põe as três peças na mesma mesa e dá um prazo para as conferir.

Num concurso, conferir o mapa não é zelo: é o que decide quem paga o que falta nele.

Em obra particular, fica escrito no contrato — ou em lado nenhum

Numa obra particular não há uma fase de erros e omissões com prazo, como nos concursos públicos. O que protege quem orçamenta é o que se escreve antes de fechar o preço: as perguntas, por escrito, com a referência exata — artigo do mapa, número do desenho, cláusula do caderno de encargos; as respostas, anexadas à proposta; e, no contrato, o que prevalece quando as peças divergem e como se pagam os trabalhos que nenhuma delas previu.

Como conferir, passo a passo

  1. Mapa contra condições técnicas, artigo a artigo. Cada artigo tem de ter a sua condição técnica; cada condição técnica, o seu artigo.
  2. Mapa contra desenhos, nos capítulos que mais pesam no preço. Não é preciso medir a obra toda outra vez: meça de novo os capítulos com mais peso no total e confronte.
  3. Cada divergência numa lista, com a referência das peças em causa e a diferença encontrada.
  4. A lista segue por escrito, no prazo — o do procedimento, numa obra pública; antes de fechar o preço, numa particular.
  5. O que ficar por esclarecer entra na proposta como pressuposto, dito por extenso.

Quando o projeto vem em Revit ou IFC

Se o projeto foi feito num modelo BIM, o passo 2 muda de natureza: em vez de medir outra vez à mão, tira-se um segundo mapa do próprio modelo, com cada quantidade ligada aos elementos que a geraram. A comparação com o mapa do concurso passa a ser linha a linha, e cada diferença aponta para um elemento concreto — que é o que se consegue escrever numa lista de erros e omissões.